sábado, 19 de dezembro de 2020
Disney Research cria rostos CGI que ultrapassam o "uncanny valley"
O uncanny valley descreve o fenómeno e a dificuldade em se recriar digitalmente algo que passe como sendo "real" - e onde recriar um rosto humano, digitalmente, representa um grande desafio. É que, enquanto humanos, somos o culminar de um processo evolutivo onde estamos optimizados para detectar qualquer anomalia nas expressões faciais, e é isso que faz com que, mesmo que existe tecnologia para criar rostos CGI que desafiam a detecção de serem falsos ou reais, quase sempre se detecta que são CGI quando os vemos a mexerem-se com animação.
Mas, ao longo dos anos tem sido demonstrado que seria apenas uma questão de tempo até que a tecnologia permitisse começar a superar a curva do "vale desencantado", e a Disney Research poderá ser uma das empresas mais bem posicionadas para o fazer, com um novo sistema que torna as animação do rosto bastante mais realista e natural do que era possível até ao momento.
Mais um par de anos, e poderemos deixar de ser capazes de distinguir um rosto humano feito via CGI, de um real.
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Os personagens CGI de Rogue One
Nada hoje em dia acontece sem incomodar algumas pessoas, e no caso de Rogue One temos o ressuscitar digital de Peter Cushing, com o CGI a permitir a sua presença neste último filme do Star Wars... e onde até tem algum protagonismo.
O problema é que embora nas imagens estáticas seja praticamente impossível detectar que é um personagem digital, em movimento é ainda notória a falta de naturalidade. O único ponto positivo é que com este filme me parece que já estamos na fase ascendente do Uncanny Valley e que, muito provavelmente, na próxima década... começaremos a ter actores CGI que são indistinguíveis dos reais.
O que nos leva a crer que o futuro retratado por The Congress está mais próximo do que nunca. Neste filme os actores vendem o seu aspecto físico para que seja utilizado por personagens CGI - mas em contrapartida têm que deixar de representar eles próprios, para não fazerem "concorrência" aos seus bonecos. :)
domingo, 6 de dezembro de 2015
Uncanny Valley [curta]
Hoje trago-vos mais uma curta que bem poderia ser adaptada para um longa-metragem, e com uma mensagem bem pertinente para os tempos actuais. Uncanny Valley é um termo utilizado para explicar a sensação estranha quando se vê coisas que tentam ser realistas geradas por computador, mas que aqui nos mostra um futuro onde temos "viciados" em realidade virtual que preferem passar o seu tempo em jogos violentos.
Só que... esses jogos têm consequências...
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Resident Evil Degeneration
Mas esqueçam; não a vão ver neste filme... não porque tenha recusado o papel, mas sim porque este é um filme de animação com imagens geradas por computador.
E é exactamente nesse ponto que o filme é simultâneamente excelente e...péssimo.
Nem me vou pronunciar sobre a história, que não sendo nada de inovadora certamente irá agradar a todos os fãs da série (dos jogos.)
O problema está mesmo na qualidade gráfica do filme, que... é excelente!
Tem cenas absolutamente foto-realistas que nos fazem duvidar por momentos se o que estamos a ver é mesmo gerado por computador.
No entanto, se todos os objectos, ambiente e cenários são excelentes... já os personagens acabam por cair no vale mais profundo do efeito uncanny valley.
É praticamente impossível não ficar com uma sensação altamente estranha sempre que surge uma qualquer pessoa no ecrã, especialmente os rostos (que numa fotografia ou frame estático do filme até parecerão realistas, mas que em movimento são um "desastre completo" - adicionado ao facto de a sincronização das palavras com os lábios ser... inexistente?)
Como ponto positivo, vale pela história (para os fãs da "marca") e pela qualidade gráfica, e pelo facto de possivelmente demonstrar que já nos encontrarmos na parte ascendente do tale "vale", que irá fazer com que os próximos filmes CGI sejam bastante mais realistas e "naturais" que este.
(não se esqueçam de ver o youtube em alta-qualidade, senão perdem metade dos píxeis. :)
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Carlos Martins
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quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Uncanny valley - o "vale" desencantado
Com a popularidade dos filmes CGI (Computer Generated Image - Imagem Gerada por Computador) de novo em ascenção - veja-se o Beowulf, e o Avatar - eis que estamos no limiar do fenómeno conhecido por "Uncanny Valley".
Embora esta hipótese tenha sido formulada sobre a relação dos humanos com os robots, o mesmo princípio aplica-se à animação gerada por computador.
A ideia é simples, e facilmente entendida:
Se uma entidade é suficientemente diferente de um ser humano, temos tendência a reparar nas suas características "humanas", gerando empatia. Por outro lado, se a entidade é "quase humana", temos tendência a notar todas as características "não-humanas", gerando uma sensação de estranheza e até repugnância.
Por exemplo: um urso de peluche - é claramente uma entidade "não humana", mas dificilmente arrepiará alguém. As pessoas focar-se-ão no seu sorriso, nos olhos expressivos, etc. - gerando empatia.
Por outro lado, um cadáver: embora tenha a aparência perfeita de um ser humano - a ausência do comportamento que se espera de um ser humano vivo causa a tal sensação de desconforto.
Isso pode ser também observado em manequins com aparência humana "realista"- sendo um dos motivos para que a maioria deles usem rostos e formas estilizadas para que não causem este efeito.
(No caso de entidades em movimento, o efeito é ainda mais notório)
Voltando aos filmes, este problema apenas se coloca quando a animação procura retratar seres humanos de forma foto-realista. Ninguém fica chocado ao ver a Branca de Neve, porque tem claramente um aspecto de "banda desenhada"; no entanto, algumas pessoas já acharam que o Final Fantasy:Spirits Within tinha as personagens "estranhas".
Agora, temos o Beowulf, que usando tecnologia ainda mais avançada para criar personagens realistas, corre o risco de cair exactamente no "vale".
Algumas cenas já são tão perfeitas que "enganam" completamente o cérebro, e tudo parece real... mas quando isso não acontece - lá surge o efeito em toda a sua pujança.
(Isto era facilmente perceptível no anterior filme CGI de Robert Zemeckis, Polar Express, onde as expressões dos personagens deixavam muito a desejar)
Em conclusão: Beowulf pode muito bem ser o filme que marca a passagem do declive descendente do "vale" para a parte ascendente.
Uma coisa é certa, se Beowulf já atingiu este nível, abrem-se boas perspectivas para o Avatar de James Cameron, que promete levar os filmes CGI a níveis nunca antes vistos.
Como fã do cinema de animação por computador, conto com os Cameron's Zemeckis e Sakaguichi's deste mundo para impulsionarem as tecnologias necessárias à produção destes filmes.
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Carlos Martins
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