quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Uncanny valley - o "vale" desencantado

Com a popularidade dos filmes CGI (Computer Generated Image - Imagem Gerada por Computador) de novo em ascenção - veja-se o Beowulf, e o Avatar - eis que estamos no limiar do fenómeno conhecido por "Uncanny Valley".

Embora esta hipótese tenha sido formulada sobre a relação dos humanos com os robots, o mesmo princípio aplica-se à animação gerada por computador.

A ideia é simples, e facilmente entendida:

Se uma entidade é suficientemente diferente de um ser humano, temos tendência a reparar nas suas características "humanas", gerando empatia. Por outro lado, se a entidade é "quase humana", temos tendência a notar todas as características "não-humanas", gerando uma sensação de estranheza e até repugnância.

Por exemplo: um urso de peluche - é claramente uma entidade "não humana", mas dificilmente arrepiará alguém. As pessoas focar-se-ão no seu sorriso, nos olhos expressivos, etc. - gerando empatia.
Por outro lado, um cadáver: embora tenha a aparência perfeita de um ser humano - a ausência do comportamento que se espera de um ser humano vivo causa a tal sensação de desconforto.

Isso pode ser também observado em manequins com aparência humana "realista"- sendo um dos motivos para que a maioria deles usem rostos e formas estilizadas para que não causem este efeito.
(No caso de entidades em movimento, o efeito é ainda mais notório)


Voltando aos filmes, este problema apenas se coloca quando a animação procura retratar seres humanos de forma foto-realista. Ninguém fica chocado ao ver a Branca de Neve, porque tem claramente um aspecto de "banda desenhada"; no entanto, algumas pessoas já acharam que o Final Fantasy:Spirits Within tinha as personagens "estranhas".

Agora, temos o Beowulf, que usando tecnologia ainda mais avançada para criar personagens realistas, corre o risco de cair exactamente no "vale".
Algumas cenas já são tão perfeitas que "enganam" completamente o cérebro, e tudo parece real... mas quando isso não acontece - lá surge o efeito em toda a sua pujança.
(Isto era facilmente perceptível no anterior filme CGI de Robert Zemeckis, Polar Express, onde as expressões dos personagens deixavam muito a desejar)



Em conclusão: Beowulf pode muito bem ser o filme que marca a passagem do declive descendente do "vale" para a parte ascendente.

Uma coisa é certa, se Beowulf já atingiu este nível, abrem-se boas perspectivas para o Avatar de James Cameron, que promete levar os filmes CGI a níveis nunca antes vistos.

Como fã do cinema de animação por computador, conto com os Cameron's Zemeckis e Sakaguichi's deste mundo para impulsionarem as tecnologias necessárias à produção destes filmes.

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