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sábado, 19 de outubro de 2019

Ang Lee filmou Gemini Man em 3D 4K a 120fps


O mais recente filme de Ang Lee mostra-nos Will Smith a contracenar com uma versão inteiramente digital dele próprio, mas o maior problema é que serão muito poucos os cinemas capazes de exibir o filme tal como o realizador desejaria: em 3D, a 4K a 120fps.

Enquanto de um lado temos grupos de realizadores que se agarram ferozmente ao desejo de manter os 24fps tradicionais do cinema, outros realizadores, como Ang Lee, não hesitam em recorrer ao que de melhor a tecnologia actual permite. Neste caso, ele diz que o realismo que procurava exigiu a filmagem a 120fps. A questão é que a maioria dos cinemas não tem capacidade para projectar o filme neste formato.

A maioria irá limitar-se a apresentar o filme a 60fps, e os poucos que irão exibi-lo a 120fps apenas projectarão uma imagem 2K (basicamente idêntica à qualidade Full HD que temos em casa). Aliás, esse é um aspecto que Ang Lee refere, que actualmente, devido às plataformas de streaming, é muito mais fácil e ágil fazer chegar conteúdos nestes formatos directamente aos espectadores em suas casas, do que esperar que os cinemas façam os investimentos necessários para poderem acompanhar esta evolução.

Não deixa de ser algo irónico. Noutros tempos as pessoas iam ao cinema para terem uma experiência que superava em todos as aspectos a experiência de ver um filme no televisor em sua casa. Hoje em dia, muitos irão ao cinema com a plena consciência de que poderiam ver o filme com melhor qualidade, de imagem e som, em sua própria casa. E com isto, resta agora esperar que surja um grupo de realizadores que promova a morte dos 24fps. :P

sábado, 7 de setembro de 2019

Estúdios e fabricantes de TVs avançam com "Filmmaker Mode"


A UHD Alliance vai avançar com a criação de um "Filmmaker Mode", que pretende garantir que os espectadores tenham nos seus televisores a experiência de ver um filme tal como o seu realizador queria que fosse visto - sem aplicação dos efeitos que normalmente são aplicados por muitos televisores.

Há muito que os puristas do cinema fazem os possíveis por garantir que os seus televisores permitem ver os filmes a 24fps, para coincidir exactamente com o framerate do cinema e não sofrerem com a sua adaptação para 50 ou 60fps. O caso "piora", quando se considera que muitos televisores são capazes de apresentar 100 ou 120 fps, e incluem opções de processamento que fazem a interpolação das imagens de modo a criar movimentos mais suaves, ou nítido, ou uma combinação de ambos.

Isto é algo que parece perturbar alguns realizadores, que consideram que isso estraga completamente a experiência de ver um filme, e que levou à criação deste novo Filmmaker Mode da UHD Alliance - um modo que estará facilmente acessível nos televisores, e que desactivará todo o processamento, para que o filme seja visto "como no cinema".



Sendo um fã do cinema, confesso que não sou nada apologista da manutenção dos 24fps que tantos consideram ser "sagrado" na 7ª arte. Isto que uns consideram como sendo um dos pilares fundamentais para que os filmes de cinema pareçam cinema, resulta meramente das limitações orçamentais que remontam ao início da indústria cinematográfica, e que foi considerado o "mínimo framerate possível" que permitisse criar a ilusão das imagens em movimento com alguma qualidade.

Refira-se que até Thomas Edison, na altura, considerava que o mínimo deveria ser de 46fps, quase o dobro do que a indústria acabou por seguir, para reduzir os custos com a película. Quase um século mais tarde, fico assustado por ver realizadores modernos argumentarem em defesa dos 24 fps, em vez de lutarem no sentido de elevarem o cinema digital para os 100 ou 120 fps e nos afastarem dessa pré-história do cinema.

... Vejam um pan lateral rápido a 24 fps... e depois digam-me como é que um qualquer realizador poderá dizer que isso se enquadra na sua "visão artística".

sábado, 4 de abril de 2015

YouTube já testa vídeo Ultra HD 4K a 60fps


O YouTube há muito que suporta resoluções superiores ao Full HD, e mais recentemente passou a suportar também vídeos a 60fps. Agora, finalmente combina ambos para nos oferecer vídeos Ultra HD 4K a 60fps - embora ainda em fase experimental.

Nem toda a gente terá uma ligação à internet capaz de aguentar com estes vídeos sem uma boa dose de buffering, e também não serão muitos os que têm um monitor ou televisor Ultra HD 4K onde poderão apreciar todos estes pixeis (se não tiverem, nem sequer percam tempo... pois não ganharão nada em tentar ver resoluções superiores à dos vossos monitores - embora também possam optar pelo vídeo em 1440p60).

Com o Netflix a já oferecer algumas séries em Ultra HD, é de imaginar que o Google não se queira deixar ficar para trás e que já contemple o próximo passo, que serão os conteúdos a 60fps em vez de 30fps. É certo que se terá que enfrentar as críticas de todos os que, como acontece no cinema, preferem o aspecto dos 24/30fps e que acham os vídeos a 60fps demasiado realistas - mas, goste-se ou não, não faz qualquer sentido manter uma opção que apenas surgiu por limitações técnicas e não por "motivos artísticos".

A adopção dos monitores/televisores 4K irá começar a aumentar nos próximos anos, e quem as comprar terá muita vontade em dar bom uso a esses pixeis. Claro que a resolução 4K e os 60fps por si só não são garantia de qualidade extrema (se depois tivermos direito a elevada compressão) - mas graças aos novos codecs como o H.265, torna-se possível ter estes conteúdos com larguras de banda mais reduzidas que nunca. Uma coisa é certa... se esperavam que os filmes em Blu-ray que tinham comprado para substituir os que tinham na colecção em DVD, e que já tinham sido comprados para substituir os VHS, iriam ser os últimos... preparem-se para ver edições remasterizadas de tudo isso em Ultra HD 4K (e resoluções superiores).

Mas desta vez, será pouco provável que comprem esses filmes em formato físico, pois os formatos físicos não têm tido velocidade para acompanhar a velocidade e evolução que está à disposição dos serviços digitais de streaming/download.




terça-feira, 16 de setembro de 2014

Douglas Trumbull promove o cinema 3D a 120fps


No cinema, Douglas Trumbull é um nome que dispensa apresentações, tendo trabalhado nos efeitos especiais de clássicos como "2001: A Space Odyssey" e "Blade Runner", e realizado o icónico "Silent Running"; e décadas mais tarde, este veterano continua a ser uma força motriz que levar levar o cinema para o futuro. A sua proposta, o sistema MAGI de cinema 4K 3D a 120fps!

A questão do framerate no cinema tem sido um tema sensível, com muitos puristas a criticarem as tentativas de se mexer nos famosos 24fps que têm sido o standard há quase um século. Realizadores como Peter Jackson já nos trouxeram alguns filmes a 48fps (que foram criticados por parecerem "vídeo"), mas Trumbull diz que saltando para os 120fps se passa para algo inteiramente diferente, e que a vantagem é que esta tecnologia poderá ser facilmente adaptada aos projectores digitais já existentes na maioria dos cinemas.

Ora... eu nem preciso que me convençam: há décadas que critico que se mantenha no cinema um framerate que surgiu pelas limitações físicas (e económicas) dos tempos da película; sendo que agora com o cinema digital não há sentido para que não se dê um salto na qualidade e realismo da imagem. A 120fps o cinema passará a ter um aspecto completamente diferente, é certo... mas é o mesmo que compararmos o cinema "actual" com as filmagens a preto e branco de baixo frame rate dos filmes mudos de outros tempos.

Fala-se que James Cameron poderá adoptar esta tecnologia para os próximos Avatar, sendo que por agora Trumbull vai mostrar a sua curta UFOTOG (que foi exibida na IBC 2014) a Jon Landau, produtor de Avatar na esperança de lhe conseguir demonstrar que este é mesmo o caminho a seguir.

Com o cinema a queixar-se continuamente da queda dos espectadores, é preciso investir em tecnologia como esta que proporcione experiências cinematográficas bem diferentes das que se possam ter em casa (embora espere também que os formatos 120fps rapidamente cheguem até nós - e bem que isso poderia começar pelo suporte do YouTube para formatos HFR - high-framerate!)

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