Mostrar mensagens com a etiqueta Espanha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Espanha. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Álex de la Iglesia bate o pé à Lei Anti-Pirataria Espanhola


Espanha, país onde a partilha de dados digitais ainda consegue fugir à ilegalidade (desde que não haja lucro envolvido), continua sobre gigantesca pressão de países como os EUA para que mude drasticamente essa posição - e passe a perseguir toda e qualquer pessoa que ouse descarregar uns bytes digitais da internet.

Conhecida como Lei Sinde (nome da ministra da cultura), eis que nos Prémios Goya se pode assistir a um episódio histórico.  Álex de la Iglesia, presidente da Academia do Cinema espanhola, disse o que tinha a dizer sobre o assunto na sua noite de despedida, sob o olhar atendo da Ministra Ángeles González-Sinde que estava na audiência.

Aléx começou por ser um apoiante desta lei... até começar a ter discutir o assunto com fãs no Twitter, e mudar radicalmente de posição dizendo que esta lei, efectivamente, "não serve para ninguém"!
O discurso completo, pode ser visto no vídeo em baixo, e lido em castelhano no Público.es. Mas como o meu caro amigo Nelson Cruz indicou no seu post sobre este assunto, aqui ficam alguns pontos chave:
Dizem que provoquei uma crise. Crise, em grego, significa “mudança”. E a mudança é acção. Estamos num ponto de não retorno e é o momento de agir. Não há marcha atrás. [...] As regras do jogo mudaram.

[...]

A Internet não é o futuro, como alguns acreditam. A Internet é o presente. A Internet é uma forma de comunicação, de compartilhar informação, entretenimento e cultura, utilizada por centenas de milhões de pessoas. [...] Os internautas não gostam que lhes chamem assim. Eles são cidadãos, são simplesmente pessoas, são o nosso público.

Esse público que perdemos, não vai ao cinema porque está em frente a um ecrã de computador. Quero dizer claramente que não temos medo da internet, por que a internet é, precisamente, a salvação do nosso cinema.

Só ganharemos o futuro se formos nós próprios a mudá-lo, nós que inovamos, adiantamos propostas imaginativas, criativas, trazendo um novo modelo de mercado que tenha em conta todos os implicados: autores, produtores, distribuidores, exibidores, páginas web, servidores, e utilizadores. É necessária uma crise, uma mudança, para poder avançar para uma nova maneira de entender o negócio do cinema.

Temos de pensar nos nossos direitos, claro, mas não esquecer nunca as nossas obrigações. Temos uma responsabilidade moral para com o público. Não podemos esquecer algo essencial: fazemos cinema porque os cidadãos nos permitem fazê-lo, e devemos-lhes respeito, e agradecimento.

[...]

Não há nada melhor que sentir-se livre criando, e partilhar essa alegria com os demais. Somos cineastas, contamos histórias, criamos mundos para que o espectador viva neles. Somos mais de 30.000 pessoas que têm a imensa sorte de viver fabricando sonhos. Temos de estar à altura do privilégio que a sociedade nos oferece.

Eu acredito, com toda a humildade, que se queremos que nos respeitem, há que respeitar primeiro.
Pode ser apenas mais um pequeno grão de areia no processo de evolução de uma sociedade onde corporações  insistem em nos tentar convencer que um "bit" de informação deve ser tratado da mesma exacta forma que um bem físico... Mas, acredito que eventualmente mais pessoas - como Álex de la Iglesia - possam compreender que a "mudança", muitas vezes é para melhor (especialmente quando é abraçada em vez de rejeitada!)

Não era tempo de aprender com todos os discursos de desgraça que são repetidos incessantemente, sempre pelas mesmas pessoas, desde os dias da rádio, TV, cassetes, VHS, etc. etc?




[Via PC Manias]

Related Posts with Thumbnails