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domingo, 9 de março de 2008

Premiados Fantasporto 2008

E o prémio deste ano, vai - como era esperado - para... REC de Jaume Balagueró e Paco Plaza.
(Muita gente a dar saltos e a fazer abanar o chão do Rivoli! :)
Ganhou o Grande Prémio Fantasporto 2008 e o Prémio do Público.




El Orfanato” recebeu o prémio de melhor realização e melhor actriz, pelo desempenho de Belem Rueda. O filme que será estreado brevemente nas salas portuguesas, é o maior sucesso de bilheteira em Espanha neste momento.

La Habitacion de Fermat” arrecadou os prémios de Melhor Argumento e é premio Méliès de Prata do Fantasporto 2008.

Opium – Diary of a Madwoman” de Janos Szasz (Hun), ganhou o Prémio Manoel de Oliveira e o Prémio de Melhor Actriz, pela excepcional interpretação de Kirsti Stubo.

Triangle” de Hong Kong, Ringo Lam, Johnnie To e Tsui Hark, venceu o Prémio de Melhor Filme da Secção Oficial Orient Express.

Breath” de Kim Ki Duk, recebeu o Prémio Especial do Júri Orient Express.

How to Get Rid of Others” de Anders Klarlund recebeu o significativo Prémio Especial do Júri de Cinema Fantástico.

The Lovebirds” de Bruno de Almeida, ganhou o prestigiado Prémio Especial do Júri.



P.S. - Críticas à sessão de encerramento... começou pessimamente com um incompreensível número artístico de abertura, com música (se é que alguém pode considerar aquio música) a cargo dos Blasted Mechanism a acompanhar umas imagens alucinogénicas em que todo o auditório ficou a ouvir baixas frequências e outros ruídos durante longos minutos. Bem sei que a "arte" deve ser expansiva e abrangente, mas com tantas centenas ou milhares de bons artistas em Portugal, acho que não seria difícil ter arranjado algo melhor.
E não penso que tenha sido o único a achar isso, uma vez que toda a gente para quem olhei tinha a mesma cara de: "Mas que raio é isto?"

Segundo, a sessão deu a ideia de total improvisação, com as luzes a não "acertarem" onde os convidados estavam, a acenderem/apagarem em momentos imprevisíveis. Aliás, não sei porque custa muito ao responsável pela iluminação entender que: gente em palco, mais luz - exibição de filme, menos luz. Assim como não se compreende porque nalgumas sessões assistimos a uma sala completamente às escuras, enquanto que noutras havia luzes no tecto e no palco ligadas. Não tenho nada contra um ou outra situação, mas um pouco de coerência era agradável.
Depois, notava-se que toda a gente em palco estava a sentir-se completamente perdida. E até um segundo microfone - que suponho destinar-se aos convidados que subissem ao palco - ficou lá toda a sessão sem uso, uma vez que todos iam ter com o "apresentador de serviço" e usavam o seu microfone.

De igual forma, o convite a todos os "VIPs" e convidados que visitaram o Fantas, para que subissem ao palco, apenas e só para serem exibidos e prontamente recambiados para a plateia... foi um pouco triste. (E aquele comentário do Mário Dorminsky, a dizer que podemos ter cá actores de "primeira linha", se houver orçamento para isso - foi um pouco infeliz: quer dizer, então os que cá vêm são apenas os "foleiros"? Felizmente eles não deverão ter percebido isso, e eu percebo a "boca"; mas... era possível ter tido um pouco mais de tacto para que nenhum convidado pudesse ficar eventualmente ofendido com isso.

Embora a apresentação, com a visualização de pequenos clips de vídeo dos nomeados/vencedores, esteja no bom caminho - é possível fazer bem melhor do que ter um leitor de DVD a fazer pause/play, e com alguns dos filmes, incompreensivelmente, a mostrarem apenas um slide-show de frames do filme! Meus amigos, são 28 anos de experiência... têm a obrigação de fazer melhor e de mostrar isso aos convidados.

Como habitualmente, espero que o carisma de Mario Dorminsky e a simpatia de toda a organização e do público em geral tenha servido para amenizar todos estes "pormenores" e fazer com que todos os convidados se tenham sentido bem.

É tempo de começar a preparar a 29ª edição do Fantas, e esperar que todos os erros e coisas menos bem conseguidas neste ano não voltem para assombrar as próximas edições.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Fantasporto - 7º dia

Music Within - Steven Sawalich – EUA

"A verdadeira história de Richard Pimentel, um brilhante orador público com um passado acidentado, que regressa do Vietname para iniciar uma luta em prol dos americanos com deficiência. Vencedor do Prémio do Público do Festival de Dallas."


Com o nosso amigo Ron Livingston do hilariante "Office Space", aqui está uma história verídica muito bem contada, agradável de se ver e com muito bom humor, apesar da seriedade do tema. Para quem não conhecia a história deste Senhor, fica aqui uma óptima oportunidade para o fazerem, com a certeza de que também estarão a ver um bom filme. Recomendo.

Baba Yaga – Frederic Dano – FRANÇA
"
Dois orfãos encontram refúgio na casa abandonada de Baba Yaga, um ogre que regressa a casa quando os míudos já se tinham instalado…"


Uma curta metragem que conta uma história algo estranha, com um bom visual e boa caracterização, mas que não me entusiasmou por aí além.

The Appeared - Paco Cabezas - ARGENTINA, MÉXICO, ESPANHA
"Uma viagem ao lado obscuro de alma humana. Malena e Pablo, dois irmãos que percorrem a Argentina descobrem um diário que revela a história de crimes cometidos vinte anos atrás."


Ora cá está uma boa surpresa. Uma história muito interessante, bem contada, com alguns twists, suspense, terror, sangue, um assassino fanático e impiedoso... com os pés bem assentes na terra e numa realidade não tão distante assim no tempo. Com a participação do próprio realizador numa cena do filme, em que que se vê numa televisão um homem a correr de motoserra na mão atrás de uma mulher nua, cena essa que ele queria usar do filme "Texas Chainsaw Massacre", mas que por falta de dinheiro para pagar direitos, agarrou ele próprio na motoserra e convidou a prima para andar por ali com os seios à mostra no meio do mato! :D

Breath – Kim Ki Duk – COREIA DO SUL
"Jang Jin (Chang Chen), condenado à morte, tenta suicidar-se na sua cela. Yeon (Zia), uma dona de casa traída pelo marido, vê as notícias na televisão e sente-se impulsivamente atraída pelo homem. Numa série de encontros, os dois estranhos vivem um ciclo inteiro, desde amor até a morte. Do realizador de “The Isle”."


Kim Ki Duk é um nome que me faz sempre vir a correr para o cinema. Gosto muito das histórias contadas por ele, do visual dos seus filmes, sempre tudo a preceito e com muito bom gosto. "Breath", para não variar muito, tem uma história estranha, seja lá o que isso quer dizer hoje em dia. Eu gosto de tudo o que é estranho, por isso caiem-me sempre bem estes filmes. Os encontros de Yeon com Jang Jin são de partir a rir, ainda mais com os gags do Director da cadeia, era só ouvir as gargalhadas do povo na audiência. Um filme que não vai muito à bola com aqueles que são infiéis numa relação a 2, e a lição é algo pesada aqui nesta história, mas há que ver para perceber se isto dá frutos ou não. Mais um filme que recomendo vivamente.

Found Objects – David Birnbaum – CANADÁ
"Num mundo futurista destruído por uma guerra que não termina nunca, as preparações para um recital de música estão a deixar todos loucos. Os espectadores estão ansiosos, as bombas caem ininterruptamente e o teatro está muito degradado. Alheio a tudo isto está um velho que continua a esforçar-se para que tudo corra bem."


A fazer lembrar os ambientes delirantes de "Delicatessen" de Caro e Jeunet, está aqui uma curta metragem absolutamente louca. Vista ao pormenor é uma delícia. As ligações que vamos encontrando entre as pessoas que habitam o edifício do velho teatro são desconcertantes, hilariantes até... Gostei deste desarranjo todo :D

Peekers – Mark Steensland – DINAMARCA
"Algo de muito estranho se passa na casa do vizinho…"


Logo no início da curta lembrei-me do "The Burbs" com o Tom Hanks, quando o vizinho do lado aparece a bater à porta. Mas não tem nada a ver ;) Esta é uma curta curta, filmada de câmara na mão, com um aspecto amador, mas está lá no que toca a contos fantásticos. Teve piada :)

Mother of Tears – Dario Argento – ITÁLIA
"Uma jovem estudante de arte abre sem querer uma urna antiga que solta a bruxa mais poderosa do mundo. Com um flagelo dos suicídios a invadir a cidade, e bruxas de todo o mundo a reunirem-se em Roma, Sarah tem de utilizar todos os poderes psíquicos para parar a Mãe das Lágrimas, antes que o mal vença o mundo. O último do mestre do terror, Dario Argento."


Este "velhote", este Manoel de Oliveira dos filmes Gore e de Terror é o meu ídolo. Com os seus 68 anos (se não me engano), Dario Argento continua a meter nos seus filmes belas jovens desnudadas a gritarem perante o horror que lhes vai aparecendo pela frente. Aquilo devem ser horas a espreitar na câmara até obter o plano perfeito (se é que me entendem) eheheh. Este é o filme que o Star Wars podia ter sido, tantas são as vezes que ouvimos no fundo da cabeça "Luke, use the force", mas aqui adaptado para o feminino, com mãe fantasminha armada em Casper - the friendly ghost, sempre a dizer à sua filha para usar os seus poderes contra as bruxas... Muito sangue, muito gore, muitas risadas, o filme perfeito para o Fantas. Mas é só isso mesmo ;)

segunda-feira, 3 de março de 2008

Fantas Aparecido e com Argento

Music Within

Um filme que conta a história de Richard Pimentel, um americano que lutou no Vietname e com o dom da palavra. Em busca de um sentido de vida, acaba por ser a voz de todos os americanos deficientes, que culminou com a aprovação da lei que impede que os deficientes sejam discriminados. Um filme com Ron Livingstone, Melissa George, e Michael Sheen.

Só foi pena terem projectado o filme sem máscara de abertura, o que fez com que ficasse em "4:3 open-matte" e se visse o microfone em inúmeras cenas.


The Appeared

Estava anunciado o Teeth, mas despareceu do programa e foi apresentado o filme espanhol The Appeared, com o seu produtor e realizador no palco do Rivoli. Escrito e realizado por Paco Cabezas, o filme acompanha a viagem de dois jovens, irmão e irmã, até à Argentina para visitarem o seu pai em morte cerebral e eventualmente desligarem a máquina que o mantém vivo. No entanto, a descoberta de um diário que descreve em detalhe assassínios e torturas brutais passadas 20 anos antes leva-os numa viagem aterrorizante em busca da verdade.

Como curiosidade, a certa altura vemos a passar numa TV um filme parecido com o Texas Chainsaw Massacre. Como a produção não tinha dinheiro para pagar os direitos de autor para o incluir no filme, tiveram que improvisar e rodar uma mini-sequência parecida. O realizador é o homem da motoserra que persegue uma rapariga em topless pela floresta fora - a rapariga, essa, é prima do realizador. (Com família assim, quem precisa de actores credenciados? :)

P.S. Mas não se esqueçam de exibir o Teeth!


Breath

Mais uma perspectiva coreana de Kim Ki Duk. Uma mulher sente-se estranhamente atraída por um condenado no corredor da morte à espera da sua execução. A morte e o renascimento retratados quase sem palavras num episódio que cultivará bastantes pensamentos na maior parte dos espectadores.


Mother of Tears

E para terminar em beleza, nada como um verdadeiro hino aos filmes de terror do mestre Dario Argento, com a sua filha Asia no principal papel. Quando uma das mais antigas bruxas é libertada Roma torna-se num local de rituais satânicos e mortes violentas.
Um filme de terror com um boa dose de gargalhadas à mistura, especialmente quando entra na fase "use the force, Luke"!
Força Dario, manda-nos mais filmes destes! :)

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