segunda-feira, 11 de março de 2013

Rescaldo Fantasporto 2013


O Porto despede-se uma vez mais de um glorioso Fantasporto, que lamentavelmente parece também aproximar-se cada vez mais perigosamente da sua derradeira edição - com a habitual falta de apoios, alguns hipocritamente prometidos por alguns altos dignitários, ao vivo, perante uma sala cheio no Rivoli. Mas... adiante, que essas são daquelas coisas que rapidamente nos dão volta à barriga e nos fazem ir a correr para outro lado.

O Fantasporto 2013 esteve em grande, mesmo se longe das "espampanantes" edições do 25º ano, que para sempre ficarão marcadas na memória dos que por lá passaram. Sem a "cidade do cinema" montada na praça, o Fantas esteve mais modesto, mas ainda assim repleto de iniciativas e convidados, nacionais e estrangeiros. Pelo que me disseram, foi também o Fantas com maior número de entrevistas - e onde mais uma homenagem a Manoel de Oliveira e ao seu Aniki Bóbó foi ponto marcante e comovente para todos.


Nesta edição, o filme vencedor foi Mama. Poderia não ter sido a minha escolha, mas estaria sem dúvida no top 3 dos candidatos a esse galardão, pelo que não me choca nada que assim tenha sido. (Apenas critico o filme por ter lá pelo meio algumas partes que parecem ter sido "cosidas à pressão", e mais para o final cair no erro de começar a mostrar demasiado daquilo que se pretendia que fosse misterioso). Mas, sem dúvida que irá arrancar uns sobressaltos e arrepios dos que o virem, e é isso que se pretende.


Os filmes deste Fantas foram muitos e variados, e acho que posso dizer que a nível de qualidade estiveram "no ponto". Não quero com isto dizer que tenha gostado de todos - há uma tendência crescente para fazer filmes excessivamente looooongos - mas mesmo que eu os tenha achado desesperantes, não é por isso que deixam de ser bons filmes (embora nada perdessem se fossem vistos em velocidade acelerada! ;P)

Como surpresa inesperada saliento apenas o Face to Face, do qual pouco ou nada esperava (um filme australiano com uma dúzia de pessoas enfiadas numa sala onde tentam resolver os seus conflitos), e que acabei por achar bastante engraçado.

No mais tradicional espírito "sanguinário" do Fantas tivemos também filmes como Sawney: Flesh of Man, que não sendo propriamente original ou inovador (pensem num "Hills Have Eyes", passado nas Highlands Escocesas) sempre deu para "matar a fome" neste género sempre apreciado pelos habitués do Fantas.


Em jeito de resumo ultra-resumido e simplista, os pontos altos desta edição: ter havido um Fantas; e com número bastante generoso de convidados estrangeiros que genuinamente parecem ter passado um excelente tempo na nossa cidade. Quanto aos pontos a rever: penso que se tratando de um festival com 33 anos de existência, já se poderia exigir uma melhor e mais atempada reacção às questões da projecção (sem as desculpas que é a variedade de formatos que causa problemas), e que também o facto do Fantas ser conhecido pelo seu ambiente "terra-a-terra" que lhe é característico (e que o distingue de todos os demais festivais) não deverá servir de justificação para algumas coisas que se poderão considerar "desleixo".

Fiquei triste com o sentimento que parecia pairar no ar durante este Fantas... retratado na perfeição por um painel em branco que habitualmente é pintado e desenhado de forma efusiva por todos os participantes com dotes (ou sem eles) para o desenho; e que este ano permaneceu intocado durante grande parte do festival, e só no final recebeu algumas poucas frases desinspiradas.


Para o próximo ano, talvez seja tempo do Fantas começar a olhar mais para aqueles que ao longo dos anos (décadas) vão permanecendo fiéis e vão angariando mais e mais amigos para que se juntem a esta festa do cinema, única na cidade, única no país, única no mundo. Certamente não seremos número suficiente para que, só com a nossa ajuda monetária (ainda para mais em tempo de dificuldades) se possa fazer um Fantasporto digno desse nome... mas... sendo-se maltratado noutras fontes de rendimento, talvez soubesse bem - por uma vez que fosse - ter alguns poucos euros a entrar no festival que sejam dados por vontade própria, com amor e carinho.



São 33 anos de Fantas, são mais de três décadas de luta e (muito) desgaste; a que se soma também o inevitável cansaço e peso da idade a que ninguém é imune. Felizmente, está também demonstrado que o Fantas tem excelentes membros com "sangue fresco" que poderão estar mais em sintonia com as novas gerações e que se torna necessário cativar (e educar? - cinematograficamente falando). O Fantas não pode sucumbir devido à falta de apoios; mas tem também que ter em atenção que não se pode tornar num espelho de uma sociedade envelhecida como acontece em Portugal e na Europa.

Acima de tudo, embora o Fantasporto esteja - e sempre estará - indissociavelmente ligado ao Mário (Dormisnky), Beatriz (Pacheco Pereiro) e ao António (Reis), talvez seja tempo de começar a dar um pouco mais de protagonismo aos "mais novos", para que possam ser eles a carregar a tocha nas décadas vindouras com o mesmo vigor e entusiasmo com que este trio tem feito até ao momento. Talvez até possa ser da maneira que um pouco mais de "tempo livre" permita encontrar formas originais e inspiradas de tornar possível não só as próximas edições do Fantas, como até de as tornar em edições que "eclipsem" todas as anteriores!

No que depender de nós... cá estaremos para ajudar no que for possível!

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