quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

RoboCop [2014]

Não sei se o mais assustador será alguém se aventurar no remake de um filme de culto como o Robocop... ou enfrentar a dura realidade de que o filme original chegou às salas de cinema há 27 anos (e eu ainda me lembrar disso como se fosse hoje!) mas, quando temos um nome como o de José Padilha, que se sabe mexer bastante bem nos cenários de polícia militarizada urbana (ou não fosse o responsável pelo "Tropa de Elite") vale sempre a pena dar-lhes o benefício da dúvida.

Depois de vários filmes "sempre a descer", e duas tentativas de passar a série de TV, o nosso Robocop está de regresso - e como dita a moda, para um "reboot".

Com um elenco de luxo onde encontramos nomes como Gary Oldman, Michael Keaton, Jackie Earle Haley, Samuel L. Jackson (e outros), o papel principal cabe agora a Joel Kinnaman - que já tem feito alguns filmes, mas que também poderão conhecer da (excelente) série The Killing. Digo desde já que não tinha muita confiança de que ele fosse o actor ideal para este papel... e depois de ver o filme continuo com algumas dúvidas sobre se não teria sido melhor entregue a outro - mas pronto, não está tão mau como pensaria que estivesse neste papel.

Portanto, estamos perante um novo Robocop e a história da sua origem. A Omnicorp quer trazer para os EUA a sua força de soldados robot que patrulham cenários de conflito no estrangeiro, mas um Senador reticente tem impossibilitado isso recusando-se a aceitar que a decisão de matar alguém esteja a cargo de uma máquina. Para tentarem dar a volta ao assunto a Omnicorp decide avançar com o projecto Robocop colando um homem dentro da máquina, e o candidato escolhido acaba por ser o detective Alex Murphy, que ficou em estado crítico quando investigava um chefe do crime que conta a ajudar de vários agentes corruptos. Depois... é aquilo que já se pode imaginar...

Em vez de um filme de acção pura como o original de 1987, desta vez o filme acaba por ser mais uma ode ao que nos distingue de uma máquina, à manipulação dos media, e à própria ilusão do que por vezes se pensa ser a liberdade de decidir algo. Quando reduzido ao mínimo essencial... o que continua a fazer de nós humanos? São muitas as perguntas que ficam no ar com este filme e que poderão servir para alimentar os pensamentos bem depois de se sair da sala.

O filme presta também homenagem ao original com alguns momentos bem encaixados... desde o célebre "Dead or alive you're coming with me" e o "I'd buy that for a dolar" - no caso deste último, foi pena não termos direitos aos anúncios publicitários do futuro que no original iam surgindo durante o filme... Mas entende-se que neste reboot isso pudesse ser descabido.

Por esta altura já deverão ter percebido que gostei do filme e recomendo. Se bem que, por outro lado, fico bastante preocupado por imaginar que haverá espectadores que ao ver este filme se identificarão perfeitamente com o personagem de Samuel L. Jackson e saiam da sala a pensar... "mas... eu não percebi o filme, o homem até tinha razão no que estava a dizer"... e isso, é verdadeiramente assustador!


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